terça-feira, 20 de outubro de 2009

Boa Ação 2009 ( Inicio )

Prezados,
Dediquei meu domingo, visitando o lugar, que já está escolhido e marcado para o dia 20/12 ( Domingo ) a partir das 10:00hs, onde será a Boa Ação 2009.

Fica em Duque de Caxias, um lugar que vive basicamente de doações, sem qualquer ajuda dos orgãos governamentais, organizado, bem conduzido, mas como não poderia deixar de ser, com algumas deficiências.


Conversando com a coordenadora Gilza, por sinal, muito educada, fez um breve relato de como é o dia a dia das crianças e dos funcionários. São crianças abandonadas, ou que sofreram maus tratos ou vítimas de abuso sexual.
Pelas imagens abaixo, é possivel enxergar que ajudar, não é uma uma tarefa dificil !!! Mas com visão, percebi que eles não têm uma lavanderia propriamente dita. Tem muito mal dois ( 02 ) tanquinhos, que não lavam nada !! Enganam !!!

Imagine, com esses dois "tanquinhos", lavar roupa de 21 crianças ? Acho que a meta desse ano é arrecadar recursos para a construção e a colocação de máquinas, mesmo que usadas, nessa lavanderia... É muito ambicioso ? Talvez . . .

Vamos tentar repetir, também, o que fizemos no ano passado, quando levamos : Mágico > Palestra sobre higiene bucal > almoço > Bate papo sobre alcool e drogas > brincadeiras / curiosidades > Bolo comemorativo > distribuição de presentes

Se voce conhece algum representante de laboratório, ou um pediatra, peça algumas amostras grátis de medicamentos. Isso ajuda muito !!!

Outra doação que acho da maior importancia : Material escolar ( lapis, borracha, apontador, régua, cadernos, etc... ) Roupas de crianças e de cama, também serão bem aceitas . . .

Divulguem essa idéia !

Faça parte voce também !
Garanto que será um dia maravilhoso ...

Conto com voces,



















Boa Ação 2008



Esse ano começou em outubro, de forma diferente...

Tive a idéia de fazer uma mala direta eletrônica, contando superficialmente, as duas experiências anteriores, passando um pouco mais de credibilidade, para as pessoas que receberiam.


Não vou citar nomes, endereços, tão pouco números...
Mandei para alguns amigos, que de imediato responderam, e disseram que poderia contar com a ajuda.

O primeiro foi um amigo dentista, que se mostrou bastante solícito, prontificando-se em ajudar, disponibilizando sua profissão.
Logo depois, apareceu um médico, que fez o mesmo.
Alguns outros amigos, que não puderam, ou não tinham a mínima idéia como fazê-lo, contribuíram de outra forma.

Pois bem, e agora ? Vou pegar cartinhas nos correios ? Mas a idéia tomou tal formato, que decidi ajudar um orfanato.
E por onde começar ? A internet ? Por amigos ?
Lembro-me que a uns 15 atrás, em outro ramo de atividade, estive em um abrigo em Jacarepaguá. Muito organizado, muito bem administrado.

Fiz diversos contatos, inclusive, estive pessoalmente com a gestora, mas eles não quiseram “abraçaram” a idéia.
Acreditei que não precisavam de ajuda, já que descobri que eram mantidos por verba de fora, e não haveria necessidade de receber doações.

Foi quando em uma conversa com o dentista, surgiu a idéia de ligar para um lar espírita, que ajudam durante o ano todo, e muito provavelmente, eles teriam uma lista com as instituições.

Procurava por uma que realmente estivesse precisando. E como tudo tem as mãos de Deus, a assistente administrativa do Lar espírita, disse que a um tempo atrás uma assistente social, tinha ido até lá, procurar ajuda. E felizmente deixou o endereço e telefone.

Não perdi tempo, liguei imediatamente, e marquei uma visita...

No domingo, fui com a minha esposa, saber a localização, como funcionava, e saber das necessidades.

Chegando ao endereço, um bairro com residências humildes, com uma vaga lembrança de cidade do interior, devido à área verde.

Uma fachada simples, devidamente cercada, com um letreiro e o nome da instituição, mas mal sabia o que nos aguardava...
Fomos recebidos pela secretária da diretora, que sem saber sobre o que se tratava, já foi apresentando as instalações.

OBS.: Para a sua curiosidade, se você usar a palavra ORFANATO, pode ser considerado como ofensa !!! Portanto, se você tiver a idéia de ajudar, lembre-se, mude essa palavra para Abrigo, lar, instituição ou o nome que foi dado ao lugar.

A primeira criança que avistamos, tinha síndrome de DOWN, e não largou minha mão, durante toda a visita.

As instalações bastante humildes, já me diziam que ali, seria o lugar da boa ação deste ano. Deixamos o local com dia e hora marcados para o evento.

As idéias e as perguntas foram surgindo, até que em determinado momento, parecia uma operação de guerra !
Por onde começar ? O que fazer ? Qual ou quais vão ser as atividades ?

Inicialmente, pensei em passar o dia com a galera, tendo como almoço, um churrasco, refrigerantes e ao final, um bolo comemorativo.
Pensei comigo, quem vai ficar na churrasqueira ? Eu não ! Tão pouco, os amigos que estarão comigo.

Foi quando surgiu a idéia, a uns dois dias antes, de fazer strogonoff. Simples, fácil e rápido. Ligamos para o abrigo, pra verificar sobre as panelas, garfos, facas e guardanapos. E mais uma vez, teve as mãos de DEUS. Leia nossa conversa ao telefone, na presença do amigo dentista, com a diretora :

- Você tem espaço na geladeira p/ refrigerantes ?
- Tenho !
- Panelas, garfos, facas . . . ?
- Tenho isso tudo ! Uma pergunta... Voces estão pretendendo fazer o almoço aqui ?
- Sim !
- Qual ?
- Strogonof
- Vocês ligaram pra cá ?
- Não, porque ?
- É que a uns dois dias atrás, as crianças se reuniram, e pediram, que se alguém fosse fazer alguma doação de comida, eles queriam comer o picadinho de carne com creme...

Pela felicidade da minha filha, nesse momento, chorei ! Chorei muito ! Sabe quando a gente ganha o tão sonhado brinquedo quando criança ? Foi assim !!
Passei o telefone pro amigo, e ele terminou as perguntas...

Alguns amigos fizeram doações expressivas, que foram revertidas em dinheiro, para uma melhor aplicação na Boa Ação.

Algumas instituições como : Rotary e Maçonaria participaram com suas doações, “alimentando” ainda mais a idéia.

Um outro ponto bastante interessante, que é uma informação que quase ninguém sabe, é que nesses lugares não falta comida. Porque é a primeira coisa que qualquer um pensa.
Saibam vocês que, as mesmas crianças, tomam banho ( sabonetes), escovam os dentes ( pasta de dentes ), as moçinhas ficam menstruadas ( modess ), precisam se depilar ( barbeadores ), as roupas sujam ( sabão em pó ), as louças também sujam ( detergentes ) , banheiros precisam ser higienizados ( desinfetantes ), entre uma serie de outros produtos.

Cometemos, parcialmente, os mesmos erros de todos, comprando comida, e também os produtos de higiene pessoal.






Com toda ajuda possível e impossível, resumindo de um modo em geral, o dia foi assim :

10:00hs > Palestra sobre higiene bucal e escovação
FORMIDAVEL !!! Nota 10 para a educação da galera !!!

11:00hs > Mágico que fez a alegria da galera, com truques, imitações e brincadeiras. Mais uma vez, nota 10 para comportamento


12:00hs > Almoço...



13:30hs > Palestra sobre álcool e drogas, enfatizando causas e conseqüências. Complementando esse dia de alegria, e principalmente educacional.

14:30hs > Atividade recreativa, criando uma “competição” com brincadeiras matemáticas e adivinhações, a titulo de desenvolvimento de raciocínio.

15:50hs > Discursei sobre a educação, que me fez um grande homem, que se estivesse escolhido outro caminho, não estaria ali, naquele momento, levando um pouco de conhecimento, educação e felicidade.

16:00hs > Encerramento com distribuição de presentes, de bolos e refrigerantes.








17:00hs > A surpresa

Faço questão de enfatizar, porque foi um momento mágico !!!
Solicitaram a presença de nós, os voluntários, em um determinado local dentro do abrigo, onde estavam todos reunidos, em forma.

Quando começaram a cantar a musica gospel “ Faz um milagre em mim“ que é um grande sucesso, que rapidamente conta uma passagem da bíblia, ao tempo em que conta uma história linda.



E mais uma vez, a emoção tomou conta do meu, e do coração de todos que estavam ali comigo. Confesso mais uma vez, que chorei como criança...

Os amigos voluntários que estiveram presentes, afirmaram que estarão nas próximas de novo, e vão recrutar mais gente...

Só tenho a agradecer, e dizer mais uma vez, que enquanto estiver nessa terra, estarei propagando essa idéia.

Nos vemos no ano que vem . . .
















Boa Ação 2006

Uma história de Natal . . .


Aconteceu quando num belo dia, minha mãe que retornava de uma viagem dos Estados Unidos, trouxe uma roupa de Papai Noel. Pensei, no que fazer com a roupa, já que minha filha só tinha 7 meses e não entenderia o que é o espírito de Natal.
Fazer o que ? ? ? Uma boa ação, já que meus avós, faziam nas datas de São Cosme e São Damião, e no próprio Natal ??? Imaginei crianças pobres, que poderiam ter, pelo menos, uma noite de felicidade. E como encontra-las ???
Recebi um e-mail de um amigo, sugerindo que fossemos aos correios, buscar algumas dessas cartinhas escritas por crianças, endereçadas à Papai Noel. Queria que chegasse em minhas mãos, uma que realmente tivesse essa essência natalina. Fiz a exigência, ao gerente da agencia dos correios, que só aceitaria as cartas que fossem entregues por crianças. Recebi umas oito cartas. Algumas exageradas, como pedidos de brinquedos eletrônicos, bonecas que falam , computadores, etc . . .
O problema era, que os remetentes, moram em um bairro de classe média alta, e conseqüentemente seus pedidos, seriam prontamente atendidos por seus familiares.
No meio de tantas, duas foram as que mais se aproximaram. Uma menina de 12 anos, pedindo material escolar, dizendo que sua mãe trabalhava, mas não tinha condições de compra-lo, mas nada que levasse em conta, o porque ganhar . . .E uma outra, uma vovó, de nome Leila, que não conseguiu realizar o sonho dos filhos, mas queria ver ser seus netos contentes.
Fez um pedido muito simples. Queria brinquedos para os netos, mesmo que usados, mas o que importava era a felicidade deles. Citou, que morava em um terreno que era posse ( invadido ), que vendia empadinhas na praia, e mal dava pra pagar as contas.
Imagine se poderia dar alguma alegria à família ? Também, adiava todos os anos, dizendo pros netos ( seis no total ) que se Papai Noel não aparecesse esse ano, viria no ano que vêm. Triste isso não ?? O mais velho, hoje com 8 anos, já estava acostumado, e provavelmente desacreditado. Confesso que não cheguei a terminar a leitura da carta, e chorei . . . Chorei muito . . . Imagine uma noite de Natal, sem presentes, sem uma ceia, sem felicidade ??? Pensei, é essa ! ! !
Mas como fazer a surpresa, sem ter essa família toda reunida ?? Se chegar lá, sem avisar, e não encontrar nenhuma criança ?? Se nem ao menos encontrar a vovó ???
Terminei meu trabalho, e fui à noite, ao suposto endereço da carta. Um endereço complicado, onde os números eram embaralhados. Pergunta daqui, pergunta dali, e finalmente cheguei. Uma casa humilde, sem muros, e que aparentemente não tinha mais que dois cômodos. Procurei pela campainha, e não encontrei. Bati palmas, e tive que gritar pelo nome dela. Pouco tempo depois, a porta se abriu, e saiu um senhor, supostamente seu marido, aparentando uns 50 anos, mastigando algo, e já fui logo perguntando pela vovó Leila : - Ela está jantando, mas vou chama-la . . .
Em seguida, veio a jovem vovó, também aparentando não mais que 50 anos, morena de sol, vestindo short e camiseta. - Sou eu ! ! Vocês não querem entrar ?? Onde já se viu, um estranho bater a sua porta, citar seu nome, e você ainda convidá-lo para entrar ??? Coisa de gente muito humilde mesmo !!! Muito inocente !!! E se eu não tivesse boa intenção ?? Continuando, perguntei : - Boa noite , a srª acredita em Papai Noel ??? Fez cara de quem não estava entendendo nada, e perguntou ? - Por que ? - É porque Papai Noel, leu sua carta . . . Coitada !!! Levou as mãos ao rosto, e desabou, no bom sentido é claro . . .
Nesse momento, pensei que iria chorar também, mas segurei, e disse : - Não fique assim não !! Eu já chorei com a carta !!! Faz o seguinte, reúna os netos, que amanhã, às 16:00hs, vou trazer o velhinho aqui . . . E larguei a vovó, chorando e sendo consolada pelo vovô, que não estava acreditando, mas eles me viram e me ouviram. No dia seguinte, com a ajuda dos amigos, providenciei os presentes para os netos, e uma cesta de Natal para as crianças, com balas, biscoitos, refrigerantes . . . Minha família ficou sabendo, horas antes, e providenciou uma linda cesta de frutas, e também um Peru e um Tender. Tudo muito bem embrulhado ! ! Um presente legal ! !
Como marcado, meus amigos, minha esposa e minha filha, fomos ao encontro. Assim que cheguei, a vovó me viu dirigindo, e de dentro do carro pude ouvir : - Eu não falei que ele vinha !!! Era alto, e por várias vezes. Não pude deixar de ouvir a felicidade dela . . . Estava mais feliz que as crianças, que tanto aguardavam por este momento. Desci do carro, disse aos que estavam comigo, que por enquanto, só levaria os presentes, e que o restante seria uma nova surpresa. Fui recepcionado com um forte abraço da vovó, em seguida pelos netos mais velhos. Lá estavam, os avós, as crianças, suas mães e o pai de uma delas. Foi uma alegria só ! ! !
Quem não gostaria de receber essa surpresa ??? As crianças se sentaram, e fiz perguntas básicas, como : - Quem obedeceu o papai e a mamãe esse ano ?? E todos levantaram seus dedinhos. Fiz a distribuição dos presentes, nome por nome, um a um, e ganhei um grande abraço de quase todos eles, porque a mais nova, ainda tinha medo . . .
A vovó estava radiante, vendo sua simples carta, tornar-se realidade, A FELICIDADE DOS NETOS. Quando fui surpreendido : - Olha só ! ! O papai Noel também ganha presente ! ! - Disse ela, lendo no verso de uma fotografia dos netos com os avós, frases simples, mas de grande coração . . . E continuei : - A surpresa não pára por aqui não ! ! ! E foram buscar os outros presentes. Nesse intervalo, os outros pais foram aparecendo, e também não acreditando. Não vi, mas contaram que um deles, aparentando ser o mais velho, ficou emocionado, chegando à vermelhidão no rosto . . . Quando a família viu tanta coisa bonita chegando, foi tanto agradecimento, que fiquei emocionado, porém consegui segurar . . .
O vovô disse que no tempo de vida dele, nunca teve tanto prazer . . . E para terminar, tive que deixar algumas palavras : - Vovó, só quero fazer um pedido, que você saiba conduzir essa família, sempre para o lado do bem. Que sejam grandes pessoas no futuro. Só depende de vocês . . . Virei-me para outro lado e alguém disse : - Ta vendo só ! ! Você disse Papai Noel não existe, e que ninguém iria aparecer ??? – Direcionando essa frase para um outro pai. E não pude deixar: - Vê se tu acredita agora, valeu ??? Ficou sem graça, mas deve ter aprendido . . .
Terminei dizendo pro vovô : - Não desista nunca ! ! Você vai ver, que sempre vale à pena . . . As mães se despediram de mim, em seguida os netos, um a um, os pais, o avô e por ultimo avó, dizendo : - Que Deus lhe de tanta saúde, pra continuar ajudando outras famílias, por esse mundo.
E fui embora, muito mais leve, muito mais satisfeito, e com outra cabeça . . .
Imagino que nesse exato momento, a família deve estar reunida, em torno da ceia, e abençoando nossa, aqui agora . . .




































segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Boa ação 2007



Boa ação 2007
E mais uma vez, decidi repetir o gesto de fazer o bem, nessa época de Natal . . .
Fui à mesma agencia dos Correios, onde são “postadas” as cartinhas para o Papai Noel, e peguei umas 10. Alguns pedidos exagerados como brinquedos eletrônicos de ultima geração, bicicletas, bonecas que falam, carrinhos de controle remoto, entre outros.
Abri uma carta, de uma mãe de 4 filhos, que queria simplesmente um muro. É isso mesmo ! ! Um muro para sua casa. Achei a história bem interessante. Mas como faze-lo ? ? ? Continuei fazendo a leitura da carta, que dizia que na noite de Natal, não teriam muito o que comer, já que todo os recursos, vinham de um trabalho de empregada doméstica, em uma casa de família, e que não passava de um salário mínimo.
Citava que o muro era para a “segurança” de sua família. E que uns 2000 tijolos seriam suficientes para a construção. Fiz uma matemática rápida, e achei muito estranho . . .
Pulei para uma próxima carta, com o mesmo endereço do remetente, que era a filha mais velha dessa senhora do muro. Pedindo uma cesta básica e um piercing. Um piercing ?? Pra que um piercing quem não tem o que comer ?
Acabei descartando as duas ! ! !
Algumas de crianças “ricas”, como a Tereza e a Amanda, que por sinal são muito determinadas, fazendo suas exigências de Natal. Afinal toda criança tem o direito de sonhar . . .



Continuando a busca pela carta do ano, encontrei uma, de uma mãe de dois filhos, Bruno e Eduardo, pedindo um ventilador, mesmo que usado, informando estar desempregada, e reclamando do calor que o filho sentia.
Disse pra mim : - É essa ! ! ! É essa que será a carta do ano . . .
Convidei meu vizinho, um casal de amigos e a cunhada, pra me ajudar esse ano.
Fui ao endereço da carta. Um tempo chuvoso que dificultava a busca pelo endereço correto. Ficava em uma comunidade carente. Não imaginava, o que teria à minha espera.
Era um botequim, com uma mesa de sinuca surrada, com as prateleiras repletas de garrafas de cachaça, em sua maioria vazias, onde estavam 3 homens conversando, quando abordei-os, perguntando pelo Bruno.
O pai, dono do negócio, achou estranho, já que alguém procurava pelo filho. Identifiquei-me, dizendo que a carta de Papai Noel, escrita pela mãe, tinha parado nas minhas mãos.
Pude ver que seu semblante mudou ! ! E disse, que nunca havia sido sorteado em nada . . .
Informei que voltaria no próximo sábado, e que não espalhasse a notícia, porque causaria alvoroço na comunidade. E perguntei :
- Pai, você sabe me dizer, quanto calçam as crianças ??
Coçou a cabeça, demorou, pensou e respondeu :
- Quem sabe disso é a minha mulher ! !
E continuei :
- Você é o pai mesmo ??
Os que estavam ao redor, e ouviram a pergunta, não se agüentando, soltaram risos . . .
Peguei a informação, e fui pra casa, já que estava cansado e acabara de sair de trabalho.
Já estava decidido, tinha a carta, as pessoas que ajudariam, a comunicação com as pessoas que iriam ser beneficiadas neste ano, e a tradicional roupa do Papai Noel.
Na tarde do dia seguinte, resolvi passar mais uma vez, na agencia dos correios, e recolher algumas outras, porque certamente, poderia ajudar mais alguém . . .
Procurando pelos endereços dos remetentes, tive uma surpresa. Não é que os vizinhos ficaram sabendo, e “postaram” suas cartas no dia seguinte ? ? ?
Parei de procurar. Já que tinha tudo resolvido. Agora era só colocar em prática.
Comprei carrinhos e sandálias, os amigos, as roupinhas e o vizinho o ventilador.
Chegado o dia, na companhia dos amigos, da minha esposa e filha, que inicialmente, ao me ver vestido, teve medo, coisa que nunca aconteceu. Foi preciso que eu tirasse a roupa de Papai Noel, para mostrar quem estava por baixo. Só assim ela voltou ao normal.
Fomos ao encontro com a família. Com uma hora além do horário marcado, chegamos ao local, onde já tinham algumas crianças aguardando. E muito rápido, fazendo uma contagem, já deviam ter umas 15 crianças ao meu redor. Aflita, minha filha chamava :
- Papai, papai . . .
Afinal, não é toda hora que aparece alguém vestido assim, naquele lugar.
Bruno, o mais velho, exibindo sua bicicleta, chegou dizendo que tinha recebido a bicicleta do Papai Noel. Só confirmei !
Eduardo, ainda no colo da mãe, não entendia nada. Aquela pessoa vestida de vermelho, aquele monte de crianças. Segundo a mãe estava doente, mas mesmo assim, observava tudo com atenção.
Enquanto isso, as crianças se multiplicavam . . . Vão gostar de fazer filhos lá longe . . . Fazer é fácil, criar é que é o problema ! ! !
Voltando a história, voltei-me ao carro, onde retirei a cesta de frutas, o Peru e o Panetone.
Ah ! ! Já estava esquecendo dos presentes ! !
Como seria, abrir a sacola, retirar o presentes, e não ter nada para aquele monte de crianças, que ali estavam ?? E agora ?? Pensei rápido. Vou entrar em casa, com a família e fazer a entrega.
Resolvido ! ! ! Nem tanto . . .
Todas as crianças literalmente invadiram a casa, pra ver o que sairia da sacola. Então não teve outro jeito. Vai ser aqui mesmo, com ou sem expectador.
A mãe com o menor nos braços, me agradecia, desejando muita saúde e paz.
Bruno, bastante eufórico, rasgava as embalagens pra ver o que havia . . .
Terminada a entrega, fui para o lado de fora, sendo abordado pelas crianças, que aproveitavam, pra fazer seus pedidos.
E com a tradicional frase, chamei o pai e disse :
- Pai, que você saiba conduzir essa família, sempre para o lado do bem . . .
Eu só espero que essa família, na noite de Natal, seja feliz, ou pelo menos que hoje, tenha sido um dia feliz.
Agradeço à Deus, por me dar mais essa oportunidade de ajudar o próximo, à minha família, e aos amigos com quem sempre vou poder contar.
Obrigado, e até o ano que vêm . . .