Uma história de Natal . . .
Aconteceu quando num belo dia, minha mãe que retornava de uma viagem dos Estados Unidos, trouxe uma roupa de Papai Noel. Pensei, no que fazer com a roupa, já que minha filha só tinha 7 meses e não entenderia o que é o espírito de Natal.
Fazer o que ? ? ? Uma boa ação, já que meus avós, faziam nas datas de São Cosme e São Damião, e no próprio Natal ??? Imaginei crianças pobres, que poderiam ter, pelo menos, uma noite de felicidade. E como encontra-las ???
Recebi um e-mail de um amigo, sugerindo que fossemos aos correios, buscar algumas dessas cartinhas escritas por crianças, endereçadas à Papai Noel. Queria que chegasse em minhas mãos, uma que realmente tivesse essa essência natalina. Fiz a exigência, ao gerente da agencia dos correios, que só aceitaria as cartas que fossem entregues por crianças. Recebi umas oito cartas. Algumas exageradas, como pedidos de brinquedos eletrônicos, bonecas que falam , computadores, etc . . .
O problema era, que os remetentes, moram em um bairro de classe média alta, e conseqüentemente seus pedidos, seriam prontamente atendidos por seus familiares.
No meio de tantas, duas foram as que mais se aproximaram. Uma menina de 12 anos, pedindo material escolar, dizendo que sua mãe trabalhava, mas não tinha condições de compra-lo, mas nada que levasse em conta, o porque ganhar . . .E uma outra, uma vovó, de nome Leila, que não conseguiu realizar o sonho dos filhos, mas queria ver ser seus netos contentes.
Fez um pedido muito simples. Queria brinquedos para os netos, mesmo que usados, mas o que importava era a felicidade deles. Citou, que morava em um terreno que era posse ( invadido ), que vendia empadinhas na praia, e mal dava pra pagar as contas.
Imagine se poderia dar alguma alegria à família ? Também, adiava todos os anos, dizendo pros netos ( seis no total ) que se Papai Noel não aparecesse esse ano, viria no ano que vêm. Triste isso não ?? O mais velho, hoje com 8 anos, já estava acostumado, e provavelmente desacreditado. Confesso que não cheguei a terminar a leitura da carta, e chorei . . . Chorei muito . . . Imagine uma noite de Natal, sem presentes, sem uma ceia, sem felicidade ??? Pensei, é essa ! ! !
Mas como fazer a surpresa, sem ter essa família toda reunida ?? Se chegar lá, sem avisar, e não encontrar nenhuma criança ?? Se nem ao menos encontrar a vovó ???
Terminei meu trabalho, e fui à noite, ao suposto endereço da carta. Um endereço complicado, onde os números eram embaralhados. Pergunta daqui, pergunta dali, e finalmente cheguei. Uma casa humilde, sem muros, e que aparentemente não tinha mais que dois cômodos. Procurei pela campainha, e não encontrei. Bati palmas, e tive que gritar pelo nome dela. Pouco tempo depois, a porta se abriu, e saiu um senhor, supostamente seu marido, aparentando uns 50 anos, mastigando algo, e já fui logo perguntando pela vovó Leila : - Ela está jantando, mas vou chama-la . . .
Em seguida, veio a jovem vovó, também aparentando não mais que 50 anos, morena de sol, vestindo short e camiseta. - Sou eu ! ! Vocês não querem entrar ?? Onde já se viu, um estranho bater a sua porta, citar seu nome, e você ainda convidá-lo para entrar ??? Coisa de gente muito humilde mesmo !!! Muito inocente !!! E se eu não tivesse boa intenção ?? Continuando, perguntei : - Boa noite , a srª acredita em Papai Noel ??? Fez cara de quem não estava entendendo nada, e perguntou ? - Por que ? - É porque Papai Noel, leu sua carta . . . Coitada !!! Levou as mãos ao rosto, e desabou, no bom sentido é claro . . .
Nesse momento, pensei que iria chorar também, mas segurei, e disse : - Não fique assim não !! Eu já chorei com a carta !!! Faz o seguinte, reúna os netos, que amanhã, às 16:00hs, vou trazer o velhinho aqui . . . E larguei a vovó, chorando e sendo consolada pelo vovô, que não estava acreditando, mas eles me viram e me ouviram. No dia seguinte, com a ajuda dos amigos, providenciei os presentes para os netos, e uma cesta de Natal para as crianças, com balas, biscoitos, refrigerantes . . . Minha família ficou sabendo, horas antes, e providenciou uma linda cesta de frutas, e também um Peru e um Tender. Tudo muito bem embrulhado ! ! Um presente legal ! !
Como marcado, meus amigos, minha esposa e minha filha, fomos ao encontro. Assim que cheguei, a vovó me viu dirigindo, e de dentro do carro pude ouvir : - Eu não falei que ele vinha !!! Era alto, e por várias vezes. Não pude deixar de ouvir a felicidade dela . . . Estava mais feliz que as crianças, que tanto aguardavam por este momento. Desci do carro, disse aos que estavam comigo, que por enquanto, só levaria os presentes, e que o restante seria uma nova surpresa. Fui recepcionado com um forte abraço da vovó, em seguida pelos netos mais velhos. Lá estavam, os avós, as crianças, suas mães e o pai de uma delas. Foi uma alegria só ! ! !
Quem não gostaria de receber essa surpresa ??? As crianças se sentaram, e fiz perguntas básicas, como : - Quem obedeceu o papai e a mamãe esse ano ?? E todos levantaram seus dedinhos. Fiz a distribuição dos presentes, nome por nome, um a um, e ganhei um grande abraço de quase todos eles, porque a mais nova, ainda tinha medo . . .
A vovó estava radiante, vendo sua simples carta, tornar-se realidade, A FELICIDADE DOS NETOS. Quando fui surpreendido : - Olha só ! ! O papai Noel também ganha presente ! ! - Disse ela, lendo no verso de uma fotografia dos netos com os avós, frases simples, mas de grande coração . . . E continuei : - A surpresa não pára por aqui não ! ! ! E foram buscar os outros presentes. Nesse intervalo, os outros pais foram aparecendo, e também não acreditando. Não vi, mas contaram que um deles, aparentando ser o mais velho, ficou emocionado, chegando à vermelhidão no rosto . . . Quando a família viu tanta coisa bonita chegando, foi tanto agradecimento, que fiquei emocionado, porém consegui segurar . . .
O vovô disse que no tempo de vida dele, nunca teve tanto prazer . . . E para terminar, tive que deixar algumas palavras : - Vovó, só quero fazer um pedido, que você saiba conduzir essa família, sempre para o lado do bem. Que sejam grandes pessoas no futuro. Só depende de vocês . . . Virei-me para outro lado e alguém disse : - Ta vendo só ! ! Você disse Papai Noel não existe, e que ninguém iria aparecer ??? – Direcionando essa frase para um outro pai. E não pude deixar: - Vê se tu acredita agora, valeu ??? Ficou sem graça, mas deve ter aprendido . . .
Terminei dizendo pro vovô : - Não desista nunca ! ! Você vai ver, que sempre vale à pena . . . As mães se despediram de mim, em seguida os netos, um a um, os pais, o avô e por ultimo avó, dizendo : - Que Deus lhe de tanta saúde, pra continuar ajudando outras famílias, por esse mundo.
E fui embora, muito mais leve, muito mais satisfeito, e com outra cabeça . . .
Imagino que nesse exato momento, a família deve estar reunida, em torno da ceia, e abençoando nossa, aqui agora . . .
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