Boa ação 2007
E mais uma vez, decidi repetir o gesto de fazer o bem, nessa época de Natal . . .
Fui à mesma agencia dos Correios, onde são “postadas” as cartinhas para o Papai Noel, e peguei umas 10. Alguns pedidos exagerados como brinquedos eletrônicos de ultima geração, bicicletas, bonecas que falam, carrinhos de controle remoto, entre outros.
Abri uma carta, de uma mãe de 4 filhos, que queria simplesmente um muro. É isso mesmo ! ! Um muro para sua casa. Achei a história bem interessante. Mas como faze-lo ? ? ? Continuei fazendo a leitura da carta, que dizia que na noite de Natal, não teriam muito o que comer, já que todo os recursos, vinham de um trabalho de empregada doméstica, em uma casa de família, e que não passava de um salário mínimo.
Citava que o muro era para a “segurança” de sua família. E que uns 2000 tijolos seriam suficientes para a construção. Fiz uma matemática rápida, e achei muito estranho . . .
Pulei para uma próxima carta, com o mesmo endereço do remetente, que era a filha mais velha dessa senhora do muro. Pedindo uma cesta básica e um piercing. Um piercing ?? Pra que um piercing quem não tem o que comer ?
Acabei descartando as duas ! ! !
Algumas de crianças “ricas”, como a Tereza e a Amanda, que por sinal são muito determinadas, fazendo suas exigências de Natal. Afinal toda criança tem o direito de sonhar . . .


Continuando a busca pela carta do ano, encontrei uma, de uma mãe de dois filhos, Bruno e Eduardo, pedindo um ventilador, mesmo que usado, informando estar desempregada, e reclamando do calor que o filho sentia.
Disse pra mim : - É essa ! ! ! É essa que será a carta do ano . . .
Convidei meu vizinho, um casal de amigos e a cunhada, pra me ajudar esse ano.
Fui ao endereço da carta. Um tempo chuvoso que dificultava a busca pelo endereço correto. Ficava em uma comunidade carente. Não imaginava, o que teria à minha espera.
Era um botequim, com uma mesa de sinuca surrada, com as prateleiras repletas de garrafas de cachaça, em sua maioria vazias, onde estavam 3 homens conversando, quando abordei-os, perguntando pelo Bruno.
O pai, dono do negócio, achou estranho, já que alguém procurava pelo filho. Identifiquei-me, dizendo que a carta de Papai Noel, escrita pela mãe, tinha parado nas minhas mãos.
Pude ver que seu semblante mudou ! ! E disse, que nunca havia sido sorteado em nada . . .
Informei que voltaria no próximo sábado, e que não espalhasse a notícia, porque causaria alvoroço na comunidade. E perguntei :
- Pai, você sabe me dizer, quanto calçam as crianças ??
Coçou a cabeça, demorou, pensou e respondeu :
- Quem sabe disso é a minha mulher ! !
E continuei :
- Você é o pai mesmo ??
Os que estavam ao redor, e ouviram a pergunta, não se agüentando, soltaram risos . . .
Peguei a informação, e fui pra casa, já que estava cansado e acabara de sair de trabalho.
Já estava decidido, tinha a carta, as pessoas que ajudariam, a comunicação com as pessoas que iriam ser beneficiadas neste ano, e a tradicional roupa do Papai Noel.
Na tarde do dia seguinte, resolvi passar mais uma vez, na agencia dos correios, e recolher algumas outras, porque certamente, poderia ajudar mais alguém . . .
Procurando pelos endereços dos remetentes, tive uma surpresa. Não é que os vizinhos ficaram sabendo, e “postaram” suas cartas no dia seguinte ? ? ?
Parei de procurar. Já que tinha tudo resolvido. Agora era só colocar em prática.
Comprei carrinhos e sandálias, os amigos, as roupinhas e o vizinho o ventilador.
Chegado o dia, na companhia dos amigos, da minha esposa e filha, que inicialmente, ao me ver vestido, teve medo, coisa que nunca aconteceu. Foi preciso que eu tirasse a roupa de Papai Noel, para mostrar quem estava por baixo. Só assim ela voltou ao normal.
Fomos ao encontro com a família. Com uma hora além do horário marcado, chegamos ao local, onde já tinham algumas crianças aguardando. E muito rápido, fazendo uma contagem, já deviam ter umas 15 crianças ao meu redor. Aflita, minha filha chamava :
- Papai, papai . . .
Afinal, não é toda hora que aparece alguém vestido assim, naquele lugar.
Bruno, o mais velho, exibindo sua bicicleta, chegou dizendo que tinha recebido a bicicleta do Papai Noel. Só confirmei !
Eduardo, ainda no colo da mãe, não entendia nada. Aquela pessoa vestida de vermelho, aquele monte de crianças. Segundo a mãe estava doente, mas mesmo assim, observava tudo com atenção.
Enquanto isso, as crianças se multiplicavam . . . Vão gostar de fazer filhos lá longe . . . Fazer é fácil, criar é que é o problema ! ! !
Voltando a história, voltei-me ao carro, onde retirei a cesta de frutas, o Peru e o Panetone.
Ah ! ! Já estava esquecendo dos presentes ! !
Como seria, abrir a sacola, retirar o presentes, e não ter nada para aquele monte de crianças, que ali estavam ?? E agora ?? Pensei rápido. Vou entrar em casa, com a família e fazer a entrega.
Resolvido ! ! ! Nem tanto . . .
Todas as crianças literalmente invadiram a casa, pra ver o que sairia da sacola. Então não teve outro jeito. Vai ser aqui mesmo, com ou sem expectador.
A mãe com o menor nos braços, me agradecia, desejando muita saúde e paz.
Bruno, bastante eufórico, rasgava as embalagens pra ver o que havia . . .
Terminada a entrega, fui para o lado de fora, sendo abordado pelas crianças, que aproveitavam, pra fazer seus pedidos.
E com a tradicional frase, chamei o pai e disse :
- Pai, que você saiba conduzir essa família, sempre para o lado do bem . . .
Eu só espero que essa família, na noite de Natal, seja feliz, ou pelo menos que hoje, tenha sido um dia feliz.
Agradeço à Deus, por me dar mais essa oportunidade de ajudar o próximo, à minha família, e aos amigos com quem sempre vou poder contar.
Obrigado, e até o ano que vêm . . .
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